segunda-feira, 10 de março de 2008

A resposta antes da pergunta


O que mais acontece comigo é receber respostas de perguntas que ainda nem perguntei. Acho isso perigoso, ainda mais para um possível futuro jornalista — na verdade, acho algo perigoso para as pessoas em geral. A resposta dita antes da pergunta tem vários aspectos a serem pensados. Um: ela burla a ordem natural dos fatos. Assim, simples. Dois: é um contra-senso à surpresa da resposta, seja positiva ou negativa. Três: geralmente, ela é negativa e proferida com o simples intuito de acabar com qualquer iniciativa da pessoa que a recebe. Ia fazer? Esquece, não dá.
Pensando pela quebra da naturalidade — alguns me chamarão de conservador —, entendo que as coisas seguem, sim, uma ordem, mesmo no aparente caos (não inventei isso). Não é porque “está escrito”, não é acaso, azar, sorte, coincidência, providência, nada disso. Não é nada mecânico também. E outra: se eu soubesse explicar, já teria explicado.
Ferir a ordem natural dos acontecimentos (parece que ando lendo sobre a Teoria do Caos) pode ser mais catastrófico do que aparenta. Mas aí também reside a dúvida: podemos saber se, em determinado momento, a ordem não se alterou automaticamente, não inverteu seu curso por conta própria, uma decisão da natureza, um capricho? Impossível saber. Antes que falem em destino ou obra divina, paro por aqui.
No caso do acabar cruelmente com a dúvida, a história muda um pouco. Por mais que saibamos a resposta, ou por mais que ela esteja tão aparente que possa ser possível quase prevê-la, tocá-la, temê-la, sempre há possibilidade de um revés, para o bem ou para o mal. E aí, pá! É aquele arrepio, aquele suor frio, aquela mão trêmula, aquela ansiedade, tudo abortado de súbito. É direito de alguém fazer isso, assim, sem explicação? Não sei.
Por fim, o corte de asas. Esse é o que recebe a maior carga de justificativas do tipo “é melhor assim”. Queria voar, passarinho? Chão é o teu lugar agora. Interessante esse pensar de que é melhor impedir alguma coisa antes que ela aconteça, porque pode não dar certo. Que foi, viajou no tempo e viu que seria um desastre? Faça-me o favor. Honestamente, não entra na minha cabeça — pelo menos, não na maioria das vezes. Mas, enfim, eu sou um teimoso e, talvez, só não saiba entender um não.

1 depois de mim.:

.patrícia disse...

isso me parece desabafo de dor de amor...

. . .

pra mim acontece. mas acho pior quando eu mesma respondo a pergunta que não proferi ao destinatário. Eu sou muito cruel quando faço isso. Mato a coisa antes de nascer. Perco coisas que poderiam ser possíveis. Pego uma esquina. Desvio. E é indiferente depois de algum tempo. Pouco tempo. Parece até que pode doer mais. Mas é simples assim, como a resposta que não sana a dúvida, e a dúvida que não questiona.

Continue a remar.