Hoje vi uma borboleta no ônibus. Nós dois dentro. Eu, se pudesse voar como uma borboleta, se fosse uma borboleta, entraria em um ônibus apenas para dar o ar da graça ― provocar quem não tivesse asas.
Mas a borboleta do ônibus parecia cansada de voar. Ela não queria sair: o máximo a que se arriscava era parar na beira da janela e olhar para fora. A borboleta do ônibus se deixava levar, apenas.
Mas a borboleta do ônibus parecia cansada de voar. Ela não queria sair: o máximo a que se arriscava era parar na beira da janela e olhar para fora. A borboleta do ônibus se deixava levar, apenas.
Eu sempre vejo coisas na natureza que me fazem pensar em mim. Talvez por buscar respostas que não sei de onde poderiam vir. Talvez, por buscar as perguntas certas. Ou por simples bobeira. Mas a leveza de uma borboleta ainda me impressiona. De novo escrevendo sobre gostar de coisas simples? De novo. De novo lendo?
A impressão que tive é de uma borboleta racional: percebeu que a música chegava ao fim e decidiu, voluntariamente, permitir que o vento a carregasse. O ônibus é como o vento agora para essa borboleta, que nada tem de covarde. “É um dom saber envaidecer: por si, saber mudar de tom”, diz a canção.

1 depois de mim.:
é...quem realmente (não) somos. Fingir estar apaixonado não é doença, é até bonitinho. Tem visto coisas simples, né? A gente nem mais se dá conta...Que gosto as borboletas tem?
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