Fazem a tinta não caber nesses quilômetros
Essa projeção de idéias me finda. Finda meu nome, pra recomeçar. Um atropelo de instantes corridos. Um colorido que eu preciso pintar. Parece desequilíbrio, me contorço, me encosto. Uma revolta se balança em cada fio do meu cabelo. Parece uma dança, uma ameaça, um encosto. Parece que até o mundo é capaz de parar, para que não pare a projeção em mim.
Pareço um fantasma da terra dos vivos. Desses que se alegram em nascer da terra, com o mesmo verde, com o mesmo adubo. De uma alma inteira sem paz entre os mortos. Um fantasma feio, desses que assombram cemitérios, castelos ou os pântanos de desenho animado.
Passa o dia. Quase perco a imagem que me traz vida. A projeção antiga que agora toca. Um sorriso manchado de arte esquisita, que se perde na vontade de achar. Boca, dentes e língua. Fazem a tinta não caber nesses quilômetros que me consomem. Um sorriso de nadas, que morre nas linhas curvas que me contornam. Mas, mexo com os olhos, arregalo. A paz é ver. E se vai, me fazendo vácuo, me fazendo cinza – quase que para nunca mais.
Volta, porque grito baixinho. Igual um pedido para a luz voltar. E existe de novo, como se não tivesse se ausentado. Como se tivesse ido viajar.
