sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A nuca, a vida e os seios pequenos

Percebi que amadureci quando comecei a gostar de mulheres com seios pequenos.

A sutileza no desenho comedido dos peitos menores passou a martelar em minha cabeça e eu entendi que, naquele exato momento – que agora não me recordo qual –, me tornara homem. Antes, a proposta de fartura, o jogo explosivo do busto avantajado, muitas vezes em excesso ao corpo, era o que me atraía e provocava. Mergulhava impiedosamente (muitas vezes, apenas mentalmente) em pares e pares de peitões.

Vejo nessa real analogia um resumo do que é a vida, a minha vida: há um momento incerto em que tudo que desejamos passa a ser mais exato, sem sobras. Gostar de mulheres com seios pequenos foi a forma que encontrei de entender que chega um tempo em que é preciso aceitar o menor da vida, que não é – como o lado bestial da sociedade teima em pregar – menos belo ou pouco desafiador.

No meu caso, sei que não se trata tão-somente de um assumido gosto pessoal, como quando me refiro aos cabelos femininos. Sempre preferi os cortes curtinhos, com suas incontáveis variações. Mais do que isso, contudo, sempre me empolguei com mulheres de cabelo longo ou mediano que, por um delicioso e nunca reprovável impulso, surgem com suas madeixas aparadas, exibindo, ainda que parcialmente, suas intrigantes nucas. E a nuca é a parte mais linda do corpo de uma mulher.

Não posso garantir que as coisas não mudem nos próximos trinta e poucos anos, na outra metade dessa estrada. Não posso dar certeza que não mudem nos próximos cinco anos. Há critérios, por exemplo, que tenho mantido de maneira ortodoxa ao longo dessas três décadas, e dos quais ainda não tive a menor tentação de sugerir me livrar. O mais fiel deles, provavelmente, seja desejar o sexo oposto, invariavelmente, na sua cor original: branca, marrom, preta, amarela, azul, enfim. Até verde. Mas não me obriguem, e sequer cogitem a possibilidade, de eu gostar de mulheres bronzeadas. Me odeiem, me condenem, mas não me peçam para aceitar marquinhas de biquíni.

Talvez chegue um dia em que eu, involuntariamente, revise meus conceitos relacionados à anatomia feminina e ao impacto instintivo que eles provocam em mim. Até lá, entretanto, continuarei apaixonado por aqueles peitos que, em delírios ou convites, se encaixam levemente nas mãos e na boca, como pequenos e doces cachos de uva desenhados a pincel.

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